quinta-feira, 27 de março de 2008

de volta ao começo (1) às vesperas do exame de qualificação, bruuuuu!

O título é redundante, mas pesquisar é sempre isso: voltar, rever, tomar novos rumos. Porque a pesquisa é viva, já que é fruto de nosso conhecimento sempre em contrução. Como escreveu Paulo Freire: "Eu não sou, eu estou sendo!"

Mudanças! Eis para o que me preparo agora.
Após um mundo de informação ficar girando, indo e voltando em minha cabeça, estou eu tentando a quinta, sexta, sei lá, um das muitas versões desta tese.
Às vesperas do exame de qualificação resolvi retomar os conceitos e categorias até aqui propostos. Algumas falas nas entrevistas me estimularam a isso, somados a alguns conselhos dos mestres, mestras e colegas de classe.

Falas do campo: "comunidade é para dar um nome mais charmoso à favela"; "eu não consigo entender que transformação é essa que o CDI quer tanto. " ...]

Alguns conselhos dos mestres:
"esqueça comunidade, traga a falácia da política"
"Bando, bando é uma palavra interessante, leia o seu texto, vc vai descobrir caminhos mais atutênticos"
Colegas: "Acho que precisa de foco", "É necessário politizar o debate, ter cuidado para não cair no oba-oba" (obrigada pelos toques e o livro Oscar)
Minha querida orientadora: "Olhe o Estado, você precisa contextualizar e o Estado tem um papel fundamental na discussão com as ONGs."

Tudo ouvido, anotado e aí, mãos à concepção... Não sei se consegui, aliás tenho certeza que não, visto que muito do que foi defendido e escrito por mim será retomado pelos professores que comporão a banca do dito exame.

Feito, por enquanto. Aqui um pequeno trecho de como estou defendendo hoje, agora, antes de qualificar:

À luz do debate silencioso, com os autores e atores sociais, percebi que o tema da inclusão digital é estudado com base em duas correntes do pensamento, uma que defende o uso das tecnologias da informação e comunicação, como as ferramentas que darão respaldo a tão sonhada transformação social, e outra que argumenta serem as TICs uma nova forma do capitalismo se manter no poder. Para nossa análise, tanto uma como outra são possíveis de acontecer ao mesmo tempo. Por isso optamos por uma discussão teórica que tem a modernidade reflexiva como base, tomando por referência as discussões propostas por Beck, Giddens e Lash (1997).
Essa perspectiva defende que a modernidade passa por um momento de reflexividade, porque constrói de forma ativa uma crítica à modernidade processada a partir das relações cotidianas que, tornadas públicas, reelaboram instituições (Giddens), formas de atuação política e subpolítica (Beck) e também sua estética (Lash).
Abrindo um parêntese para os fatos, pesquisa recente aponta o montante de dados que circulam pela internet. Segundo matéria da cbn.com.br (acesso em março de 2008), temos um acúmulo de 281 hexabytes em informações armazenadas e em circulação na Rede. Isto equivale, aproximadamente, a 3 bilhões e meio de discos rígidos de 80 gigabytes cheios. Considerando que a tendência é aumentar o volume, já que a produção de conteúdos pelos usuários comuns é fruto da web 2.0, que ainda não alcançou a sua potência máxima, não podemos deixar de concluir que estamos vivendo uma revolução informacional.
Com base nessas afirmações e fatos, tomamos como categoria chave de análise para nossa pesquisa a informação, por considerarmos:
que os sinais digitalizados e transformados em fluxos comunicacionais vêm provocando mudanças no cotidiano das pessoas;
que as decisões políticas, em âmbito local e global, influenciam e sofrem influências dos meios de comunicação;
que a sociedade globalizada possibilita exclusões, mas também conhecimento que gera mudanças individuais e coletivas que, por sua vez, provocam críticas às regras instituídas;
que a velocidade da informação favorece a flexibilidade da sociedade atual, potencializando os riscos, mas também sua crítica.

Para Lash (1997), se na modernidade simples os direitos de cidadania eram baseados nos direitos políticos e sociais do “welfare state”, na modernidade reflexiva eles se transformam nos direitos de acesso às estruturas de informação e comunicação. Este acesso ou não acesso, dispostos em um determinado espaço, constituem o que ele denomina de “zonas”, caracterizadas pelo muito, pouco ou nenhum acesso aos produtos eletrônicos. Este desenho demonstra as desigualdades das cidades (periferia e centro), das casas (entre homens e mulheres) e dos subtrabalhadores em relação à classe trabalhadora informacionalizada. Nas “zonas” excluídas, o acesso à informação chega através da televisão, rádio e vídeos, possibilitando a participação dessas camadas sociais nas estruturas comunicantes. Por outro lado, esse tipo de acesso desenvolve disparidades entre os que manipulam informação com as mídias interativas e os que apenas as recebem. (p.161-163)
Para Giddens (1997), estes acontecimentos são provocados pela forma aberta como as estruturas da modernidade reflexiva se apresentam, deixando a cargo do indivíduo escolhas que possibilitam mudanças, tanto dele próprio quanto da sociedade ao seu redor, quase sempre ecoando globalmente. Esta flexibilidade estimula a criação de cenários providos de incertezas que provocam grande insegurança com relação ao futuro, chegando a romper com o controle das estruturas modernas.
Com essa perspectiva, levamos em consideração que novas formas de organização emergem em movimentos contra-hegemônicos globalizados (Santos, 1994), a exemplo de movimentos como “mídia ativa” que, em reposta a uma globalização veiculada pela mídia oficial, se manifesta contra a ordem, utilizando a onda da comunicação via internet (Prudêncio, 2006). Esta, por sua vez, vem questionando os modelos empregados pela modernidade, como o de autoria, criação e comunicação, ao mesmo tempo em que contribui na formação de uma sociedade em rede (Castell, 1999), redefinindo conceitos, como os de cidadania e democracia, trazendo assim novos elementos para pensar a política.
Assim, entre o acesso e os limites provocados pelos não acessos, temos os meios de comunicação que, alimentados pelos fluxos informacionais adentram toda a sociedade, do ocidente ao oriente e vice-versa, potencializando o acúmulo de conhecimento social que permite posicionamentos individuais e coletivos que, por sua vez, afetam as ordens globais estabelecidas pela modernidade. Para nossa pesquisa, a informação, como motor dessa sociedade, se manifesta de duas formas: automática, aumentando a disparidade entre “excluídos” e “incluídos” e democrática, possibilitando a crítica das estruturas modernizantes .
A construção da estrutura comunicante da internet é um marco para nossa análise, porque tornou possível o sonho da construção colaborativa – informação democrática-, ao mesmo tempo em que fortaleceu o controle militar global e a concentração dos fluxos informacionais pelos Estados Unidos da América, maior investidor no desenvolvimento dessa tecnologia – informação automática. Ainda fruto desse processo, como crítica à geografia da estrutura dos nós comunciacionais, concentrada nos grandes centros globais, nasce a luta pela democratização do acesso às tecnologias da informação e comunicação.
Considerando este movimento e os mundos díspares – de acessos e não acessos - existentes com a modernidade reflexiva, a nossa pesquisa objetiva entender como se constituem os projetos de inclusão digital e quais os cenários produzidos com os encontros e não encontros, que marcam o cotidiano de quem opta por participar da luta pela democratização desse acesso.

....Adiante, introduzimos como a informação faz parte dessa sociedade reflexiva e como isso desata os projetos políticos de inclusão digital no Brasil, tanto em sua prática como em sua concepção.

Maiores informações, fiquem à vontade para usar os espaços de comentários ou mande email para fatimaolliveira@bol.com.br

Bibliografia interessante e utilizada aqui

Beck, Urich; Giddens, Antony; Lash, Scott.Modernização reflexiva: política, tradição e estética na ordem social moderna. Tradução Magda Lopes. São Paulo, Editora da Universidade Estadual Paulista, 1997.

Castells, Manuel. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar Editor, 2003.

Fragoso, Suely. Um e muitos ciberespaços. In:______. LEMOS, André; Cunha, Paulo (orgs.). Olhares sobre a Cibercultura. Porto Alegre: Sulina, 2003.
Giddens, Anthony. Mundo em descontrole: o que a globalização está fazendo de nós. 2 ed., Rio de Janeiro, Record, 2002.
Gohn, Maria da Glória. Os Sem-Terra, Ongs e Cidadania: a sociedade brasileira na era da globalização. São Paulo : Cortez, 1997

Hernani, Dimantas; Martins, Dalton. Caminhos da revolução digital, artigo on line http://diplo.uol.com.br/2000-04,a1697 – acesso em 04/03/08
Johnson, Steven. Cultura da interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar.Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.,2001.

Prudêncio, Kelly Cristina de Souza. Mídia ativista: a comunicação dos movimentos por justiça global na internet. Tese de doutorado apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina, 2006.

Santos, Boaventura de Sousa. A crítica à razão indolente: contra o desperdício da experiência. Vol.1, 4 ed. São Paulo: Cortez, 2002.
______. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. São Paulo: Cortez, 1997.

Santos, Laymert Garcia dos. Politizar as novas tecnologias: o impacto sócio técnico da informação digital e genética. São Paulo: Ed.34, 2003.

2 comentários:

Raquel Quintino disse...

Confesso que não li, prometo que vou ler.......
A saudade corroe, assisti pela milhonésima vez aquele clip e me emocionei com sua voz.........

mgp disse...

olha ela!!! agora não largo mais! beijão!!!